Distrações perigosas

Sigismund Goetze chocou seus conterrâneos ao retratar Jesus condenado e sofrendo, cercado por pessoas da própria geração do pintor. Elas estavam tão consumidas por seus próprios interesses: negócios, romance, política, que se mostravam indiferentes ao sacrifício do Salvador. Pessoas indiferentes a Cristo, como a multidão que se aglomerara aos pés da cruz de Jesus, sem ideia do que, ou quem, estavam ignorando.
Em nossos dias, acontece o mesmo. Cristãos e não-cristãos podem facilmente desviar a atenção do eterno. Como os cristãos podem enfrentar essa névoa de distração com a verdade do grandioso amor de Deus? Podemos começar amando uns aos outros como filhos de Deus. Jesus afirmou: “Seu amor uns pelos outros provará ao mundo que são meus discípulos” (v.35).
Mas o verdadeiro amor não para nisso. Estendemos esse amor compartilhando o evangelho na esperança de aproximar as pessoas ao Salvador. Como Paulo escreveu: “somos embaixadores de Cristo” (2 Coríntios 5:20).
O Corpo de Cristo pode refletir e tornar conhecido o amor de Deus, amor que desesperadamente precisamos, uns aos outros e ao nosso mundo. Que esses dois esforços, fortalecidos pelo Seu Espírito, sejam parte de um corte nas distrações que nos impedem de enxergar o milagre do amor de Deus em Jesus. Bill Crowder - Pão Diário

Escolhendo a celebração

A escritora Marilyn McEntyre diz que aprendeu com uma amiga que “o oposto da inveja é a celebração”. Apesar da deficiência física e dor crônica dessa amiga, ela foi de alguma forma capaz de vivenciar a alegria e comemorar com os outros, trazendo “apreciação em cada encontro” antes de morrer. Essa percepção permanece comigo, lembrando-me de amigos que estando livres das comparações parecem vivenciar essa mesma alegria, profunda e genuína pelos outros.
É fácil cairmos na armadilha da inveja. Essa inveja se alimenta de nossas vulnerabilidades, dores e medos mais profundos, sussurrando que, se apenas fôssemos como o outro, não estaríamos lutando nem nos sentindo mal.
Pedro lembrou aos novos cristãos que a única maneira de nos livrarmos de nós mesmos, das mentiras que a inveja produz é nos enraizarmos profundamente na verdade, para experimentar plenamente da “bondade do Senhor” (1 Pedro 2:1-3). Podemos “amar uns aos outros sinceramente, de todo o coração” (1:22) quando conhecemos a verdadeira fonte de nossa alegria, “…a eterna e viva palavra de Deus” (1:23). Quando nos lembramos de quem realmente somos, podemos nos livrar das comparações: somos “povo escolhido […], propriedade exclusiva de Deus […] que [nos] chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (2:9). Monica La Rose - Pão Diário

A alegria das Boas-Novas

Em 1964, o terremoto do Alasca durou mais de 4 minutos e registrou magnitude de 9,2. Quarteirões inteiros da cidade de Anchorage desapareceram, deixando enormes crateras e escombros. Nessa noite de terror, a repórter Genie Chance ficou ao microfone, enviando mensagens às pessoas desesperadas ao lado de seus rádios: um marido que trabalhava ouviu que sua esposa estava viva; famílias preocupadas souberam que os filhos, no acampamento escoteiro, estavam bem, e um casal ouviu que os seus filhos tinham sido encontrados. A emissora de rádio trouxe boas notícias e alegria em meio à ruína. 
Deve ter sido algo parecido ao que Israel sentiu quando ouviram as palavras do profeta Isaías: “o Senhor me ungiu para levar Boas-Novas aos pobres” (61:1). Enquanto olhavam para o deserto de suas vidas destruídas e um futuro sombrio, a voz clara de Isaías trouxe Boas-Novas no exato momento em que tudo parecia perdido. Deus pretendia “consolar os de coração quebrantado e […] proclamar que os cativos serão soltos […] reconstruirão os lugares desde muito destruídos” (vv.1,4). Em meio ao seu terror, o povo ouviu a promessa encorajadora de Deus, Suas Boas-Novas.
Hoje, ouvimos as Boas-Novas de Deus por meio de Jesus. Esse é o significado da palavra Evangelho. Em nossos medos, dores e fracassos, Jesus traz Boas-Novas. E nossa angústia dá lugar à alegria. Winn Collier - Pão Diário

Parte da família

Downton Abbey é uma série sobre uma família fictícia, durante as transformações sociais, no início do século 20, na Inglaterra. Um dos personagens-chave, que era inicialmente o motorista da família, casou-se com a filha mais nova dessa mesma família. Após certo tempo, o jovem tornou-se parte da família, e teve acesso aos direitos e privilégios que lhe eram negados como empregado.
Já fomos considerados “estranhos e forasteiros” e excluídos dos direitos dados aos que fazem parte da família de Deus. Mas por causa de Jesus, todos os cristãos, independentemente de seus antecedentes, são reconciliados com Deus e chamados de “membros de sua família” (Efésios 2:19).
Ser membro da família de Deus abrange direitos e privilégios. Podemos ter acesso a Deus “com ousadia e confiança” (3:12) e desfrutar do acesso ilimitado e sem obstáculos ao Pai. Tornamo-nos parte de uma família maior, uma comunidade de fé para nos edificar e nos encorajar (2:19-22). Os membros dessa família têm o privilégio de ajudar uns aos outros a compreender a enormidade do amor pródigo de Deus (3:18).
O medo ou a dúvida podem nos fazer sentir como estranhos, impedindo-nos de acessar os benefícios de fazer parte da família de Deus. Mas ouça e envolva-se mais uma vez com as dádivas generosas do amor de Deus (2:8-10) e alegre-se com o maravilhoso fato de pertencer a Ele. Lisa Samra - Pão Diário

Não se aproxime

O nariz do roedor com aspecto de esquilo se contorceu. Algo saboroso estava por perto, e o cheiro o levou a um alimentador de pássaros com sementes deliciosas. O roedor entrou pela porta do alimentador, comeu a noite toda e, pela manhã, percebeu o seu problema. Os pássaros bicavam-no pela porta do alimentador, mas tendo devorado toda a semente, ele tinha o dobro do seu tamanho e não podia escapar.
As portas podem nos levar a lugares maravilhosos ou perigosos. A porta se sobressai no conselho de Salomão sobre evitar a tentação sexual. Ele diz que embora o pecado sexual seja sedutor, os problemas o aguardam (5:3-6). Melhor ficar longe disso, pois se entrar por tal porta estará preso, perderá sua honra, e sua riqueza será consumida por estranhos (vv.7-11). Em contrapartida, Salomão nos aconselha a desfrutar da intimidade de nosso próprio cônjuge (vv.15-20). Seu conselho aplica-se ao pecado de forma mais ampla também (vv.21-23). Seja a tentação de gula, consumismo, ou qualquer outra coisa, Deus pode nos ajudar a evitar a porta que leva à armadilha.
O roedor deve ter ficado feliz quando o dono da casa o encontrou em seu alimentador de pássaros no jardim e o libertou. Felizmente, a mão de Deus também está pronta para nos libertar quando estivermos presos. Peçamos a força do Senhor para evitar a porta da armadilha em primeiro lugar. Sheridan Voysey - Pão Diário